Falei da Petrobras aqui, mas com um viés sobre os efeitos de sua iniciativa no que diz respeito à comunicação, uma vez que o obejtivo do Fale-me mais é justamente discutir a comunicação, em especial a propaganda, nos dias de hoje.
Mas aqui neste blog, permito-me a liberdade de abordar mais o lado político da coisa.
No caso, evidentemente a Petrobras virou uma moeda de negociação extremamente importante entre governo e oposição. Não é novidade para ninguém que os contratos desta empresa estatal – que é bem diferente de uma “empresa pública” – são quase sempre contratos controversos, seja pelos valores envolvidos, seja pelos interesses que afetam.
Não vou querer dar uma de pollyanna aqui e achar que o simples fato de haver interesses de terceiros afetados (os afetados aqui podem ser tantos os interesses como os terceiros) pode gerar uma CPI sobre a empresa. Uma das pragas do nosso sistema político é justamente a “necessidade” que os governantes têm de lotear toda a administração pública, incluindo cargos em empresas estatais de capital aberto, entre os partidos que integram a bancada chapa-branca. Daí decorre a outra praga da política brasileira, que é enxergar estes cargos como uma boa tetinha pra se mamar em benefício próprio por um tempo.
A partir desse cenário, fica muito mais óbvio e evidente que a Petrobras, a grande joia da coroa de todas as empresas estatais torna-se o maior alvo dos interesses de governistas e oposicionistas. Tão evidente é esse interesse que na verdade a CPI vira palco para pura demagogia, com senadores discutindo se irão investigar contratos apenas de 2003 pra cá ou incluir também contratos de antes dessa data. Bom… só pelo nível da discussão dá pra garantir que ficha limpa de verdade mesmo, nem governo nem oposição têm.
E aí então chegamos ao blog Fatos e Dados, que teve a ousadia de furar os furos de reportagem de jornais como Folha de S.Paulo, O Globo e Estado de S.Paulo, simplesmente publicando as perguntas enviadas pelos repórteres desses veículos, com as devidas respostas.
Ok. Pode-se alegar que a questão investigativa neste caso realmente foi impactada, mas em nenhum momento a empresa foi desleal ou anti-ética. Ela simplesmente saiu da defensiva e partiu para o ataque também. E entre sair para o ataque e ser intimidatória, há uma grande distância.
No jogo de interesses, o que a Petrobras não pode mesmo virar é alvo de todos os tipos de ataques para só depois, via direito de resposta, tentar corrigir erros que já deixaram sua marca profunda na empresa, sob os mais diversos tipos de efeitos colaterais, como a suspensão de todos contratos – os “bons” e os “ruins” – , demissão de dirigentes sob pressão, suspensão e atraso de prjetos e etc e tais.
Assim, me parece mais que legítima a reação da empresa, que colocou na mesa da maneira mais explícita possível que o jogo agora tem novas regras. E que para fazer jornalismo investigativo hoje em dia não basta simplesmente mandar preguntas pra assessoria de imprensa (!!!) e esperar a resposta. O buraco ficou bem mais embaixo.
Por essas e outras, portanto, é que eu ri muito lendo este editorial do Estadão.


E eis que Cleiton Xavier me faz ficar rouco.
Ainda o Senado Federal: a Polícia Legislativa está reformando suas instalações no subsolo do Congresso e passará a contar com uma cela para
Endosso